Apenas um texto.



Será que existe poesia em mim? E o que é poesia?
Se eu ao menos soubesse seu profundo significado eu me pouparia dessa dúvida constante. Tal dádiva deve exigir de um coração tamanha nobreza que os meus olhos não podem enxergar nesse punho de gelo no qual chamo de órgão muscular que bombeia o sangue através dos vasos sanguíneos do sistema circulatório. E mesmo enxergando apenas uma pedra de gelo, azul cristalino, os meus olhos pode ver no centro desse órgão tão importante, uma pequena chama que se mantém acessa e eu não sei sob qual pretexto. Me atrevo a pensar que seja meu último suspiro de vida, o que gela minha espinha quando percebo que estou por um fio. Pode ser hoje, pode ser amanhã, pode ser daqui à uma década, eu não sei! Tudo que sei é que um dia se apagará e levará consigo a beleza sombria desse coração gelado, restando apenas as cinzas de uma vida cheia de vontades, porém sem propósitos.
Vida medíocre, andou como um bêbado sem rumo, bêbado esse que mesmo embriagado não pode fugir da consciência de seus atos, seus infortúnios, sua insignificância.
Tropeça, cai, levanta, fala meia dúzia de bobeiras sem sentido e continua até encontrar-se com o bom samaritano que lhe coloca debaixo de um chuveiro gelado, taca-lhe um café amargo guela abaixo e cura essa nhaca, quero dizer, essa ressaca.
E como um bom bebum, assim que sua vergonha encontra cura ela logo corre para o boteco onde novamente zomba de sua própria existência e ali se vai mais um dia, mais um infinito de possibilidades é entregue ao fracasso de uma vida sem propósito algum.
Mas até quando essa chama se manterá acesa?
Até quando suportará a minha insistência em fracassar?

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.